A exótica culinária da Islândia

A culinária da Islândia é única! Isso porque esse pequeno país teve que aprender desde a era viking (aproximadamente de 800 a 1050) a comer carnes podres para sobreviver à escassez de alimentos e a condições meteorológicas extremas.

Ainda por volta de 1900, o povo islandês era um dos mais pobres da Europa. Todas essas dificuldades, portanto, são refletidas fortemente na culinária do país, que baseia-se primordialmente em peixes, carnes e produtos lácteos, tendo sofrido forte influência dinamarquesa e norueguesa.

Pra quem não sabe, a Islândia deixou de ser independente num determinado período do passado e fez parte do reino da Dinamarca e Noruega, época em que formavam um estado político unificado, por isso a forte influência desses países na culinária e cultura do país.

Bem, voltando a falar de culinária…não se assuste com a listinha abaixo, não é somente de carnes podres que vivem os islandeses, é possível fazer refeições gostosas no país.

PÃO DE CENTEIO PRETO (rugbrauð)

É um pão super tradicional da Islândia que é cozido dentro de fontes termais, num processo que pode levar 12 horas ou até mais. Para fazer a massa é utilizada farinha de centeio, farinha de trigo, fermento, sal, açúcar mascavo e leite morno com melaço.

Não achei uma delícia, mas com certeza precisa ser provado!

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Pão de centeio

SKÝR

Essa é sem dúvida uma das invenções mais populares e interessantes da culinária islandesa. Comi Skýr literalmente todos os dias que passei na Islândia, é uma delícia!

Acredita-se que o Skýr já era famoso na Escandinávia quando a Islândia foi colonizada. Os vikings utilizavam o soro do iogurte para conservar carnes e vegetais.

O Skýr é um iogurte sem gorduras e super rico em proteínas. Você encontra nas gôndolas de todos os mercados e numa variedade imensa de sabores. É uma ótima opção pra café da manhã e também se estiver fazendo uma roadtrip e tiver um cooler no carro.

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Variedade imensa de Skýr nos mercados

CARNE DE CAVALO (HESTUR)

As autoridades cristãs proibiram no século 11 o consumo de carne de cavalo na Islândia, porém voltou a ser liberado no século 18 devido um  período forte de escassez de alimentos.

Tradicionalmente a carne é servida como guisado, mas é também comum encontrá-la nas versões mal-passada e crua.

TUBARÃO (Hákarl)

Esse é um prato bem típico do país! Por possuir alta concentração de amônia e ácido, não é possível comê-lo cru. Então eles cortam a carne e a deixam apodrecer a céu aberto por três meses para drenar todas as toxinas.

A versão mais comum é servi-lo como aperitivo, cortado em pequenos cubos. Os islandeses dizem que é  fonte de muita energia.

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Tubarão com Brennivín

Come-se o tubarão acompanhado de uma bebida islandesa chamada Brennivín (“vinho que queima” na tradução literal), um tipo de cachaça muito forte que possui 38% de teor alcoólico e é conhecida como “Morte Negra”. O ritual para comer tubarão é: mastigar três vezes o pedaço de tubarão e na sequência beber um gole de Brennivín.

Não tive coragem de provar, mas quem provou quase se arrependeu! rs

CACHORRO-QUENTE (PYLSUR)

Os islandeses consomem muito e são orgulhosos de sua versão de cachorro-quente, chegam a dizer que é o melhor do mundo. Segundo eles, o segredo do cachorro-quente deles é por conta de um ingrediente secreto: adição de ovelha às tradicionais carnes de porco e gado.

Em Reykjavik, capital do país, tem um lugar que ficou super famoso por seu cachorro-quente depois que o então presidente dos EUA Bill Clinton apareceu numa foto comendo lá.

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O cachorro-quente mais famoso de Reykjavik

O lugar é super simples, literalmente um trailer chamado Bæjarins Beztu Pylsur, que existe desde 1937.

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Bæjarins Beztu Pylsur – Reykjavik

Bill Clinton não chegou a dar um veredito sobre o tal cachorro-quente, fez apenas um sinal de “joinha”, mas já foi o suficiente pra despertar até hoje o interesse de todos que passam pela capital islandesa.

CABEÇA DE OVELHA (Svið)

O tradicional svið é uma cabeça de ovelha cozida cortada no meio e servida de lado. Ela é servida com tudo dentro, isso mesmo, com pele, língua, cérebro, olhos, dentes e por aí vai…tem que ter muita coragem!

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Svið – Islândia – crédito foto: en.wikipedia.org

Þorramatur

Esse é considerado o prato nacional da Islândia, consumido especialmente no Natal e entre o final de Janeiro e início de Fevereiro, período conhecido como porri, quando são servidos banquetes com comidas típicas.

O Þorramatur é na realidade constituído de diversos outros pratos, que pode incluir: tubarão podre, escroto de ovelha curado, salsicha de fígado de ovelha, cabeça de ovelha cozida, barbatana de foca, peixe seco e outros mais.

 

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Þorramatur – crédito foto: Pinterest/Artigo de Styy Gens

PEIXES

O mar sempre foi a maior riqueza da Islândia, por isso peixes são o carro-chefe da maioria dos pratos nos restaurantes, geralmente servidos com legumes cozidos. O bacalhau da região é um dos peixes mais famosos da região e o salmão simplesmente divino.

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WAFFLES E PANQUECAS

Pra terminar esse post mais leve, a dica é provar os waffles e panquecas (em Reykjavik) tem muitos cafés charmosos que servem essas delícias quentinhas e com várias coberturas gostosas.

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Como eu disse no início do post, não se impressione com a exuberante culinária islandesa, pois com o aumento expressivo de turismo no país, há inúmeras opções de restaurantes nas cidades que vendem também hambúrgueres, pizzas, massas etc. Não tem como passar fome na Islândia!

FICA A DICA:

NÃO COMA BALEIA!

Confesso que provei e me arrependi. Nem tanto pelo gosto, mas porque poucos meses depois me tornei vegetariana e passei a ter uma consciência diferente sobre o tema. Descobri também que não é um prato típico da Islândia, algo que os locais comam até hoje…é na verdade um prato “pega-turista”. O problema é que com o aumento do turismo no país e portanto o aumento do consumo de baleia, automaticamente aumentou a caça à baleia Minke, que apesar de ser um dos poucos cetáceos fora da lista de extinção, não deixa de representar uma prática terrível. Em Julho/2018 a Islândia anunciou o abandono dessa caça…o motivo não era por consciência ambiental, mas por que perceberam que já não era uma prática rentável.

Ah…quantos aos outros animais listados aqui nesse post, também não sou a favor de incentivar o consumo deles. De qualquer forma, achei importante listá-los, pois são pratos típicos da região e não me sinto no direito de julgar o povo islandês, uma vez que enfrentaram  grandes períodos de fome e tiveram que se adaptar com os recursos que tinham a disposição na época. Todo esse passado turbulento devido a falta de comida e temperaturas extremas tem reflexos na cultura do povo e na culinária até hoje, é importante respeitar isso!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Valeria Portela disse:

    Dicas valiosas. Comer tubarão nem pensar. O cheiro afasta qq apetite.

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