Roteiro de carro pela Islândia: volta à ilha em 6 dias

Num total de 6 dias percorremos quase 2.000 km de carro e concluímos a volta na Islândia, esse pequeno país europeu próximo ao Pólo Norte que tem mais ou menos o tamanho da Inglaterra.

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Islândia

A cada quilômetro percorrido um cenário diferente e mais surpreendente! Perdi a conta de quantas vezes paramos no caminho pra tirar fotos e contemplar com calma a beleza que víamos pela janela do carro.

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Olha o visual…

Na Islândia é assim, o caminho é tão bonito e interessante quanto o destino final! Por isso é o lugar perfeito para quem ama viajar de carro e natureza exuberante!

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Road trip na Islândia

NOSSO ROTEIRO DE VIAGEM

Saímos de Paris, onde moramos atualmente, e chegamos 3h depois no Aeroporto Internacional de Reflavík, cidade a 50km de distância da capital da Islândia. A cia aérea utilizada foi a WOW.

Do Brasil para a Islândia não há vôos diretos, por isso é preciso pegar um vôo para alguma capital da Europa Central ou Estados Unidos e depois outro para a Islândia.

No aeroporto de Reflavík há uma infinidade de locadoras de carro e depois de pesquisar bastante encontramos um bom preço com a empresa Alamo. 

Clique aqui pra conferir nosso post “15 coisas que você precisa saber antes de alugar um carro na Islândia”.

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Nosso carro 4X4 na Islândia

Como chegamos por volta de meia-noite, dormimos na Nordic Guest House, que fica próximo ao aeroporto e oferece traslado ida/volta gratuito.

Na manhã seguinte pegamos o carro e começou nossa aventura!

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🙂

Clique aqui pra conferir o mapa do nosso roteiro de 6 dias na Islândia com detalhe das atrações visitadas e hospedagens.

DIA 1 – Rumo ao norte….

Decidimos fazer a volta à ilha começando pelo norte, pois as distâncias de um ponto ao outro eram maiores e achamos melhor fazer no início da viagem com o Diogo ainda descansado (o seguro saía mais barato com apenas um motorista) .

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Trajeto Dia 1 – Rumo ao norte da Islândia

É possível dar essa volta completa pela Ring Road N1, a estrada principal do país. É uma estrada bem pavimentada, no geral bem sinalizada e sem buracos – com exceção do sul onde há muito turismo. A velocidade máxima é de 90km/h e tem muito radar, por isso fique atento 😉

Tem duas faixas, uma para cada sentido e nas pontes só dá pra ir um carro por vez, mas como tem poucos carros na estrada, é bem tranquilo!

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Estrada N1 – a principal da Islândia

Como 6 dias de viagem foi apertado para dar a volta no país, ao invés de fazer uma primeira parada na região dos fiordes do Oeste, fomos direto para o centro-norte, na cidade de Akureyri.

De Reflavík até lá são 430km que dá um total de 6h de viagem. Foi no início desse percurso que pagamos o único pedágio da viagem, bem na saída do túnel Hvalfjordur. Custou 1.000 coroas islandesas, algo entorno de 10 euros.

O dia estava lindo, ensolarado e fizemos esse trecho numa enorme tranquilidade, inclusive parando diversas vezes na estrada pra tirar fotos.

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Um lago no meio do nada na estrada…olha a cor da água!

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Pra aproveitar o bom tempo, que é raro na Islândia, decidimos ir direto até Godafoss (c no mapa), uma cachoeira bem famosa a 54km de Akureyri.

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Godafoss

Valeu a pena, chegamos no pôr do sol!

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Godafoss – norte da Islândia

A cidade de Akureyri é a segunda maior do país e conta com apenas 17 mil habitantes. Como chegamos lá tarde, deixamos para conhecer a cidade na manhã seguinte.

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Akureyri – maior cidade no norte da Islândia

Dormimos no Hotel Lonsa Guest House (d no mapa), e como todos os outros lugares em que dormimos na Islândia, tudo é simples, mas super limpo, organizado e confortável.

DIA 2 – Rumo ao leste…

Depois de algumas horinhas passeando por Akureyri, onde visitamos o Jardim Botânico, a Catedral e uma rua de comércio, seguimos para o Lago Myvatn – o caminho passa por Godafoss, a cachoeira que visitamos no dia anterior.

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Trajeto Dia 2 – Rumo ao leste da Islândia

Pra nossa sorte e contrariando as previsões meteorológicas, fomos contemplados com mais um dia lindo de muito sol.

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Passamos horas no entorno do lago onde há várias atrações, como as pseudo-crateras da área de Skútustadir (b no mapa), as trilhas de Dimmuborgir onde há cavernas vulcânicas e formações rochosas curiosas (c no mapa), os mud pots de Hverir, que exalam cheiro de enxofre (d no mapa) e a cratera vulcânica Víti (e no mapa).

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Lago na parte de trás da cratera Víti descongelando

Por fim, fizemos um dos programas mais famosos entre os islandeses, fomos nas piscinas de águas termais do spa Myvatn Nature Baths (f no mapa). A temperatura das piscinas varia de 36 a 41 graus e ficamos lá até o início da noite.

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Spa Myvatn Natural Baths

Como não tinha nada muito interessante pra comer no restaurante deles e íamos chegar muito tarde na cidade de Seydisfjordur, onde íamos dormir, fomos jantar no Restaurante /Guesthouse Vogafjós, que fica lá perto.

Super recomendo o restaurante, que serve uma comida deliciosa e muita coisa feita por eles, como o pão tradicional Geysir e queijos – aliás, as vaquinhas ficam ao lado da entrada do restaurante.

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Se nosso roteiro não tivesse tão apertado, teria sido a melhor opção dormir por lá, pois já era quase 21h e estávamos cansados.

Como não era o caso, pegamos de novo a estrada para chegar ao extremo leste do país, em Seydisfjordur.

Foi a única vez que pegamos a estrada já escura e foi o primeiro momento tenso da viagem, pois o tempo mudou e a estrada ficou repleta de neblina, a ponto de ficarmos quase sem nenhuma visibilidade.

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Pouco antes de ficar tudo coberto pela neblina…

Ao chegar no Nord Marina Guesthouse, a primeira coisa que fiz foi olhar a situação das estradas para o dia seguinte no site road.is, que dá alertas sobre o tempo e eventuais fechamento de estradas. Outra opção é ligar no 1777 ou 1778, centrais de atendimento em inglês que fornecem essas informações.

DIA 3 – Rumo ao centro-sul…

Não havia alerta de neblina e muito menos de estradas fechadas, então depois de passear pela minúscula Seydisfjordur, uma cidade pitoresca de 700 habitantes, toda colorida e charmosa, pegamos a estrada de novo.

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Seydisfjordur

O caminho saindo de Seydisfjordur foi pela estrada que tínhamos pego com neblina na noite anterior, e o visual era lindo! Foi o ponto onde mais tinha neve nas montanhas e lagos congelados.

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Extremo leste na Islândia ainda cheio de neve em maio
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Trajeto Dia 3 – Rumo ao centro-sul da Islândia

Esse foi o segundo trajeto mais longo da viagem, 284km – 4h até Jokulsárlón (b no mapa), onde fica um lago surreal de icebergs desprendidos de uma geleira.

Depois de fazer um passeio de barco entre os icebergs, percorremos mais 56km até a cachoeira Svartifoss – foss é cachoeira em islandês (c no mapa), que fica dentro do Parque Skaftafell.

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Svartifoss

Passamos a noite no Klausturhof Guesthouse na cidade de Kirkjubaejarklaustur, mais pela localização do que por qualquer outra coisa.

Dia 4 – Praias vulcânicas e cachoeiras do sul…

Depois de dois dias ensolarados e um nublado, tudo mudou na Islândia! Sabíamos que ia chover, mas não tínhamos noção do quanto ia ventar.

Como não tínhamos tempo sobrando, tivemos que seguir com nossa programação, que era de praias vulcânicas e cachoeiras.

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Trajeto Dia 4

Antes de pegar a estrada fomos numa atração na cidade onde dormimos, o Kirkjugólg (item d do mapa do Dia 3), um lugar conhecido como “chão de igreja”, pois ali umas colunas de basalto foram esculpidas pelo tempo e deram o efeito de um piso feito pelo homem. Confesso que essa dá pra pular!

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Kirkjugólf

De volta ao carro, percorremos 70km até a famosa praia Vík (b no mapa), conhecida por sua longa extensão de areia vulcânica.

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Praia Vík

De lá fomos para outra praia vulcânica, que fica a apenas 11km de distância, a Reynisfjara (c no mapa), que além da areia preta tem umas pedras no mar em formato de pirâmide. O mar é super violento e é bom ficar afastado, pois algumas ondas invadem a praia e surpreendem turistas desavisados.

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Praia Reynisfjara

Dessa praia avistamos o Dyrhólaey (d no mapa), um buraco formado num penhasco de 120m de altura, que era nossa próxima atração.

Nós não sabíamos se a estrada de acesso até o penhasco de onde se tem uma vista privilegiada para o Dyrhólaey estaria aberta, já que não encontramos nenhuma informação precisa na internet. Chegando lá ficamos felizes de descobrir que sim…

Na entrada da estrada de acesso ao penhasco tinha uma placa informando que ela fica aberta de 8 de maio a 25.06 das 9h as 19h.

Deixamos o carro lá em cima e seguimos até a ponta do penhasco pra enxergar de perto o Dyrhólaey!

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Dyrhólaey

O visual é lindo, mas passamos um medo danado na volta pro carro! O vento que já estava forte aumentou ainda mais e mal conseguíamos andar, por isso é bom tomar cuidado se visitar o local nessas circunstâncias!

Depois do susto, seguimos para Skógafoss (e no mapa), uma das maiores quedas d’água do país onde costuma ter arco-íris nos dias ensolarados – tivemos sorte de ver um mini arco-íris mesmo com chuva!

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Skógafoss – Diogo tentando tirar foto de um micro arco-íris que surgiu no meio da chuva

Pra finalizar o dia e terminar de nos encharcar de vez, percorremos mais 29km até outra cachoeira, a Seljalandsfoss (f no mapa)!

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Seljalandsfoss – minha cachoeira preferida na Islândia

O mais interessante é que podemos caminhar por de trás da cachoeira, é lindo!

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Seljalandsfoss

De lá seguimos até o Selfoss Hostel (g no mapa), na cidade de Selfoss, base para muitos que vão visitar as atrações do Golden Circle.

Nós nos hospedamos lá por duas noites e o hostel é ótimo, conta com uma cozinha enorme super equipada e uma banheira externa com água na temperatura de 40 graus.

Dia 5 – Golden Circle 

O que era pra ser mais um dia nublado e chuvoso acabou se transformando num dia ensolarado, já o vento, piorou!

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Nesse dia percorremos as principais atrações do Golden Circle, ou Círculo de Ouro, a rota turística mais famosa da Islândia. É nessa parte da viagem onde começamos a sentir falta de não ter carros na estrada e nem muitas pessoas nas atrações turísticas.

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Trajeto Dia 5 – Golden Circle na Islândia

Começamos pelo Geysir (b no mapa), uma zona vulcânica repleta de buracos que soltam jatos d’água quando essa alcança determinada temperatura.

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Geysir

Depois seguimos para a Gullfoss (c no mapa), conhecida como a “cachoeira dourada” e a mais famosa do país.

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Gullfoss

É considerada por muitos como a mais bonita dentre as 200 que tem na Islândia.

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Gullfoss

Mais alguns km rodados e chegamos à linda cratera vulcânica Kerid (d no mapa), única atração ao ar livre paga que encontramos – custa cerca de 4 euros por pessoa.

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Cratera Kerid

E pra fechar com chave de ouro fomos até a cachoeira Oxárarfoss, que é bem mais modesta em relação as outras que visitamos, mas fica dentro do incrível Parque Nacional Thingvellir, um dos lugares históricos mais importantes da Islândia (e no mapa).

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Oxárarfoss no Parque Nacional Thingvellir

O caminho de carro pelo parque até Oxárarfoss é surreal de lindo!

É nesse parque que se encontram as duas maiores placas tectônicas da costa terrestre, a da América do Norte e a Eurásia (Europa-Ásia). É possível fazer mergulho na região pra tocar as duas placas ao mesmo tempo!!!

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Parque Nacional Thingvellir

Dia 6 – Reykjavík – a capital da Islândia

Chegou o dia de devolver o carro e seguir para Reykjavík! Tínhamos que devolver o carro no aeroporto de Reflavík, que fica a 110km de Selfoss.

Mais tarde percebemos que foi um erro e valia a pena ter ficado com o carro mais um dia, pois o ônibus de Reflavík para Reykjavík custa 50 euros ida/volta por pessoa, portanto teríamos economizado dinheiro e ganho mais tempo.

O fato é que de qualquer forma chegamos na capital do país, onde passamos a noite no Luna Apartments. Como estávamos num grupo de 4 pessoas, reservamos um apartamento com dois quartos, uma graça, mega confortável e super bem localizado!

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Reykjavík – capital da Islândia

No sétimo dia aproveitamos mais umas horinhas na cidade e seguimos para o aeroporto de Reflavík pra pegar o vôo de volta pra casa.

Vou prepara um post específico sobre coisas pra fazer em Reykjavík!

6 DIAS SÃO O SUFICIENTE?

Conseguimos fazer a volta à ilha em seis dias, mas teria sido muito melhor ter pelo menos mais dois, um pra explorar a região dos fiordes do Oeste e outro pra dormir próximo ao Lago Myvatn.

Portanto, tente considerar no mínimo oito dias pra essa viagem de carro, que com certeza será mais tranquila.

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Estradas vazias no norte da Islândia

QUANDO IR?

Para fazer essa viagem de carro pelo país é bom evitar o período de inverno mais intenso, que vai de outubro a março. Nesse período há muita neve, pouca visibilidade e muitas estradas ficam fechadas. Infelizmente essa é a melhor época pra ver aurora boreal!

Nos meses de abril e maio, quando as temperaturas já não estão mais negativas, costuma chover bastante, mas é bem viável fazer esse roteiro. Nós começamos a viagem no início de maio e pegamos dias lindos de sol.

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Já de junho a agosto é o verão, alta temporada, quando os dias são bem mais longos, as temperaturas chegam aos 22 graus e tem mais turistas. É o período também que as passagens aéreas e hospedagem ficam mais caras.

PLANEJAMENTO PARA PEGAR A ESTRADA:

Tínhamos lido que há vários trechos na estrada sem restaurantes, mercados e postos de gasolina, confesso que estávamos preocupados!

De fato as vezes demora pra passar por alguma cidadezinha, mas o segredo é se planejar e antecipar suas necessidades!

Uma bolsa térmica nos acompanhou a viagem toda e diariamente íamos em algum mercadinho pra comprar coisas pra fazer um lanche na estrada e tomar de café da manhã. Muitos mercados fecham por volta das 18h e alguns poucos funcionam até as 21h.

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Como tudo é muito caro na Islândia, fazer só uma refeição por dia em restaurante acaba sendo também uma economia considerável na viagem! O preço médio da refeição por pessoa é de 35 euros.

Importante também sempre ter umas duas garrafas d’água (água gelada da torneira no país é potável) e nunca deixar o tanque de combustível do carro ficar abaixo da metade.

Essa viagem entrou para a minha lista de “viagens preferidas da vida”, espero que você também curta muito!

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Se tiver mais dicas, não deixe de compartilhar com a gente nos comentários, com certeza irá ajudar muitos viajantes 😉

Melissa

 

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