O que fazer em Budapeste: Roteiro de 2 dias

“Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.” trecho do livro Budapeste, de Chico Buarque.

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Considerada uma das cidades mais bonitas da Europa, Budapeste é uma cidade super antiga, repleta de histórias interessantes, gastronomia de qualidade e dona de uma arquitetura surpreendente.

Antes de mais nada, vale a pena entender um pouco a história da cidade.

A capital da Hungria foi fundada em 1873, com a fusão das cidades de Buda e Ôbuda, localizadas do lado direito do rio, e Peste, do lado esquerdo.

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Budapeste

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1918), foi extinguido o Império Austro-Húngaro, do qual Budapeste e Viena eram capitais. Por conta disso, a Hungria perdeu muitos territórios e sua economia foi fortemente abalada.

Depois de viver o período sombrio da Segunda Guerra Mundial, a Hungria passou por outro momento avassalador, a dominação pela União Soviética. Durante o período do comunismo, a economia afundou ainda mais e esse cenário levou à Revolução Húngara de 1956, um marco importante que fez com que o comunismo fosse sendo gradualmente removido do país. As primeiras eleições parlamentares aconteceram em 1990.

Desde que se tornou parte da União Europeia, em 2004, o país tem crescido economicamente e apesar da renda média da população ainda ser muito baixa, o custo de vida também é baixo.

Os preços baixos aliados à beleza da cidade e pontos turísticos incrivelmente interessantes, fazem com que essa cidade seja atualmente uma das mais visitadas na Europa. É definitivamente um destino imperdível e que precisa entrar na sua lista de “lugares para conhecer no mundo”.

Ficamos dois dias na cidade, mas se tiver tempo recomendo que fique pelo menos três, assim vai curtir a cidade com mais tranquilidade!

DIA 1

CONHECER UMA DAS PRINCIPAIS PRAÇAS DA CIDADE

A Praça dos Heróis foi projetada em 1894, para comemorar o milênio da Hungria, porém só foi concluída em 1929.

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Praça dos Heróis

É uma das principais praças da cidade e tem no seu centro o imponente Monumento do Milênio.

A coluna branca central tem no topo o arcanjo Gabriel, que está cercado pelas esculturas de  7 grandes líderes húngaros.

De um lado da praça encontra-se o Museu de Belas Artes e do outro, a Sala de Arte.

VISITAR O PARQUE MUNICIPAL DE BUDAPESTE

Próximo à Praça dos Heróis, situa-se o lindo Parque Municipal de Budapeste, que guarda importantes construções e pontos turísticos da cidade, como o Zoológico, o Jardim Botânico e o Castelo Vajdahunyad.

Mesmo que você não entre nas atrações, vale a pena passear por lá, onde vai encontrar diversas esculturas, lindos jardins e um grande lago, que vira pista de patinação no gelo durante o inverno.

ANDAR NUMA DAS REDES DE METRÔ MAIS ANTIGAS DO MUNDO

Do Parque Municipal de Budapeste até a Grande Sinagoga (próximo item do roteiro), pegamos o metrô, que é um dos mais antigos do mundo e acaba sendo um programa turístico.

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Metrô de Budapeste – um dos mais antigos do mundo

O metrô de Budapeste foi inaugurado em 1896 e é a segunda mais antiga rede metropolitana da Europa (a primeira é a de Londres).

FAZER UMA VISITA GUIADA PARA DESCOBRIR OS DETALHES DA MAIOR SINAGOGA DA EUROPA 

Na Grande Sinagoga, conhecida também como a Sinagoga da rua Dohány, cabem 3.000 pessoas. Foi construída no século XIX em estilo romântico, e é extremamente rica em detalhes na parte interna, que só podem ser entendidos com a ajuda de um guia local (há diversos grupos guiados durante o dia todo, em vários idiomas).

Além da Sinagoga, há também no local o Museu Judaico, que conta um pouco a história dos judeus através da exposição de diversos objetos doados por famílias judias da região.

Tem também o cemitério judeu e a escultura Árvore da Vida, onde os nomes das famílias das vítimas do Holocausto foram registrados nas folhas das árvores (muitas folhas estão ainda em branco, caso surjam novas demandas de registro).

CONHECER A BASÍLICA DE SANTO ESTÊVÃO

Da Sinagoga partimos para a maior e mais importante Basílica de Budapeste. Ela leva o nome do primeiro rei húngaro (1000 – 1038), canonizado pela Igreja Católica como Santo Estêvão.

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Basílica de Santo Estêvão

Construída sob estilo neoclássico, tem pinturas lindíssimas e uma enorme cúpula de 96 metros de altura.

É possível subir na cúpula para ter uma visão panorâmica de Budapeste (é preciso comprar ingresso, mas particularmente não acho que vale a pena, pois a vista da Cidadella e da Colina do Castelo já são incríveis).

Na igreja está guardada uma das maiores relíquias para os católicos húngaros, a Santa Destra, que seria a mão direita mumificada de Santo Estêvão e que teria poderes milagrosos.

Está exposta numa urna de vidro na capela atrás do santuário (fica bem escondida no fundo da Basílica). Se quiser enxergar melhor a mão mumificada, jogue umas moedas na caixa ao lado e as luzes da urna se acendem.

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Mão mumificada de Santo Estêvão

PASSEAR PELA RUA VÁCI

Essa é a famosa rua de compras da cidade, onde encontramos de tudo: roupas, souvenirs, objetos de decoração, produtos tipicamente húngaros e diversos restaurantes bem simpáticos.

Atravesse essa rua saindo da Basílica de São Estêvão até o Mercado Central, um lugar incrível para provar comidinhas locais.

PROVAR COMIDAS TÍPICAS NO MERCADO CENTRAL

Instalado num prédio construído em 1897, está o maior mercado da cidade.

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Mercado Central

No andar inferior há muitas barracas de frutas, sucos naturais, verduras e legumes.

No andar superior tem diversas barraquinhas de souvenirs e muitas opções de barracas de comidas húngaras e alguns restaurantes.

O ambiente é super gostoso e dá vontade de experimentar tudo!

Funciona: Às segundas-feiras das 6h as 17h, de terça à sexta-feira das 6h as 18h e aos sábados das 6h as 15h. Fecha aos domingos. Clique aqui para obter mais informações.

SUBIR A COLINA DO CASTELO 

A Colina do Castelo é um dos principais pontos turísticos de Budapeste e está localizada numa montanha a 170 metros do chão.

Para subir há as opções de funicular, à pé pelas escadarias ou ônibus.

Ao chegar no alto da colina vai encontrar o Palácio Real, que foi remodelado diversas vezes. A versão atual é de 1896 e lá estão dois museus da cidade: Galeria Nacional Húngara e o Museu de História de Budapeste.

Além dos museus, dentro do complexo há outras atrações, como exposições temporárias e a Igreja do Castelo (paga-se a entrada separadamente para cada atração).

Caso não queira entrar nas atrações, pode passear gratuitamente pelos arredores da construção, onde há vários jardins, pátios e esculturas.

Dica: Em frente ao palácio tem uma barraquinha que vende um rolinho doce maravilhoso, o kürtőskalács. Na verdade há essas mesmas barraquinhas por toda a cidade, mas o que comemos nesse lugar estava muito bom, bem quentinho!

Lá tem também o Terraço Savoyai, que é bem extenso e oferece uma vista magnífica para o rio Danúbio e suas pontes incríveis.

Do outro lado da colina fica uma dos lugares mais famosos da cidade, o Fisherman’s Bastion, ou Bastião do Pescador.

Logo ao lado está a linda Igreja Matias, com seu telhado colorido (funciona geralmente até as 17h, exceto às quintas-feiras até 16h30 e aos sábados até as 13h).

As varandas em frente a Igreja também oferecem um visual incrível de Budapeste.

Vale a pena descer a pé essa colina, que é uma região mais residencial e repleta de bons restaurantes. Jantamos lá num muito bom, confira no próximo item.

PROVAR A COMIDA HÚNGARA

Comer em Budapeste não costuma ser caro, por isso, dá pra se arriscar bem nos restaurantes húngaros para comer pratos tradicionais.

Um prato bem típico da região é o Goulash, sopa de carne com legumes e temperada com páprica, um pimentão de cor avermelhada.

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Prato típico – Goulash

Não deixe de provar também os vinhos locais, os mais famosos são os de Tojak.

Além das comidinhas do Mercado Central, gostamos de todos os pratos que comemos nos restaurantes. Um que valeu muito a pena, mas foi um pouco mais caro é o Hunyadi Etterem, clique aqui para saber mais sobre o restaurante.

DIA 2

VISITAR O PARLAMENTO DE BUDAPESTE

Construído em 1902, é a maior construção da Hungria e o segundo maior parlamento do mundo (só perde para o inglês).

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Parlamento de Budapeste

Os números impressionam, o edifício tem 700 salas e 27 entradas e estima-se que cerca de 1.000 pessoas trabalharam em sua construção.

Para conhecer o prédio por dentro, é preciso agendar visita guiada (importante comprar ingressos antecipadamente pela internet). Confesso que a visita foi um pouco frustrante, pois é super rápida e pouco informativa. De qualquer forma, foi válida! Dá pra ter uma melhor noção da riqueza da construção, que tem mármores de todas as corres possíveis e imagináveis.

O ápice da visita acontece na sala central, onde guardam a coroa do primeiro rei húngaro, o Santo Estêvão. Dois guardam ficam tempo integral ao lado da coroa, que é também protegida por um vidro.

É estritamente proibido tirar fotos nessa sala (um turista do meu grupo arriscou tirar uma foto e quase foi expulso do prédio!).

PASSEAR PELA ILHA MARGARIDA

Essa ilha de 2,5 km de extensão é queridinha dos húngaros.

Repleta de jardins, muitas árvores, esculturas, fontes de água, teatro ao ar livre, quadra de tênis e muito mais, é perfeita para passear, praticar esportes e buscar tranquilidade em meio a agitação da cidade.

Mesmo com chuva, fomos passear por lá! O que mais gostei foi o jardim japonês, que fica numa das extremidades da ilha.

RELAXAR NAS TERMAS DA CIDADE

Budapeste tem o maior sistema de água termal do mundo e por isso há diversas casas de águas termais espalhadas pela cidade, que funcionam na verdade como uma espécie de clube.

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Terma Gellért – piscina externa

Frequentar as termas faz parte da tradição húngara e representa a principal atividade da vida social em Budapeste.

Nessas casas de banhos termais é possível encontrar piscinas de todos os tamanhos e tipos: abertas, fechadas, com ondas, com hidromassagem, água fria, quente, morna, saunas, spas etc…E o melhor, as águas possuem propriedades curativas e revigorantes.

As duas casas termais mais famosas e tradicionais da cidade são a Széchenyi e a Gellért.

A Széchenyi é o maior spa de águas termais da Europa e foi aberta em 1913. De lá pra cá, diversas reformas foram feitas, e hoje oferece 3 grandes piscinas externas e mais de 15 internas, com tamanhos e colorações diversas.

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Terma Széchenyi

Nós ficamos muito em dúvida de qual conhecer, mas depois de ver algumas fotos na internet, optamos pela Gellért, que fica mais no centro da cidade, dentro do Hotel Gellért.

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Hotel Gellért

Sua construção em estilo art nouveau é linda, repleta de mosaicos e mármores super coloridos.

Ao comprar os ingressos, você já pode reserva ruma cabine, onde poderá se trocar e deixar suas coisas guardadas.

Uma vez instalados, é hora de conhecer as piscinas…

Na parte externa tem uma grande piscina de ondas e espaço para tomar sol.

Do lado de dentro há diversas piscinas com tamanhos e temperaturas diferentes, uma delas aquecida até os 38 graus (é proibido tirar foto em algumas piscinas internas).

Achamos que foi um programa super gostoso e gostaríamos de ter tido tempo pra ficar mais!

Dicas: Você pode alugar lá dentro tudo o que precisa: chinelos, toalha, touca de cabelo (obrigatória em algumas piscinas) etc., mas vale muito mais a pena levar tudo isso se você tiver na mala. Além de economizar dinheiro, vai economizar também tempo, já que não vai precisar ficar preso ao horário de devolução dos itens, que acontece cerca de 1h antes de fechar o estabelecimento.

Termas Géllert: Funciona todos os dias das 6h as 20h.

IR À CITADELLA PARA APRECIAR A VISTA MAIS BONITA DE BUDAPESTE

Ao sair das termas, suba na colina onde está a Cidadela. De lá se tem uma vista espetacular de Budapeste.

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Vista da Citadella

O lugar foi construído durante o Império Austro-Húngaro para vigiar os húngaros rebeldes e assim evitar uma nova revolução, como a dos anos de 1848-49. Mais tarde serviu de bunker durante a Segunda Guerra Mundial.

Após o fim da guerra, foi erguido no lugar a Estátua da Liberdade, uma estátua de 14 metros de altura de uma figura feminina segurando uma folha de palmeira.

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Estátua da Liberdade

Oficialmente a estátua representa a liberdade, mas quando foi construída, era um símbolo da ditadura soviética para o povo húngaro.

PASSEAR A NOITE PELAS PONTES QUE CRUZAM O RIO MAIS IMPORTANTE DA EUROPA

Budapeste tem 9 pontes que atravessam o rio Danúbio, sendo que a primeira a ser construída sobre o rio para ligar Buda e Peste, foi a Ponte das Correntes, considerada a mais bonita da cidade.

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Ponte das Correntes

Outras três pontes também muito antigas são a Ponte Margarida, a Ponte Elisabeth e a Ponte Liberdade. Todas foram explodidas durante a Segunda Guerra Mundial e depois reconstruídas.

Apesar da Ponte das Correntes ser fantástica, a minha preferida é a Ponte Liberdade.

Não deixe de passear por elas durante a noite e principalmente de cruzar a Ponte das Correntes a pé, de onde se tem uma vista linda do prédio do Parlamento iluminado.

Aliás, toda a cidade é ainda mais incrível à noite, quando constata-se que realmente Budapeste é  amarela!!!

 

 

 

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