Minha visita ao campo de concentração Auschwitz

Sempre tive interesse em conhecer os campos de concentração Auschwitz – Birkenau, principalmente depois que vim morar na Europa e comecei a conhecer tantos lugares emblemáticos da Segunda Guerra Mundial.

Quando finalmente começamos a organizar nosso roteiro de viagem pelo Leste Europeu, confesso que me deu um frio na barriga de conhecer o maior símbolo do Holocausto e quase considerei não ir, mas fui…

Eu tinha consciência da importância dessa visita, da importância desse lugar ter se transformado num memorial à todos que lá sofreram e morreram, mas fui com a expectativa de que seria uma visita extremamente difícil!

No final das contas, foi menos pior do que eu imaginava. É de fato muito triste, uma visita muito pesada, mas continuava sendo tudo tão surreal pra mim, que mesmo estando lá eu não conseguia me projetar e me colocar na situação das pessoas que passaram por todo aquele sofrimento.

O que foi muito positivo, é que ao longo da viagem (viajamos por mais 8 dias) fui processando tudo aquilo que tinha visto e sentido e consegui finalmente me projetar ao conhecer os bairros judeus das cidades por onde passamos, as sinagogas, os vestígios da vida normal que eles tinham antes dessa tragédia toda acontecer. Foi uma viagem de muita reflexão, especialmente sobre intolerância…

A frase irônica “Arbeit Macht Frei” (“Trabalho traz liberdade”), em ferro fundido no portão de entrada do campo de Auschwitz I, é extremamente emblemática, pois os prisioneiros eram levados pra lá acreditando que iriam trabalhar…

Começamos nossa visita por esse portão…

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Entrada campo de concentração Auschwitz I

Auschwitz é na verdade o nome alemão escolhido pelos nazistas para a cidade de Oswiecim. O campo começou a ser construído em 1940 para receber os prisioneiros políticos poloneses e mais tarde também de outras nacionalidades, já que as casas de detenção do país estavam todas lotadas.

Inicialmente haviam sido construídos 20 edifícios, sendo 14 térreos e 6 com um andar, além de 2 blocos administrativos onde ficava o escritório do Comandante e dos oficiais nazistas.

Entre os anos de 1941 e 42, foram construídos pelos prisioneiros mais um andar nos prédios térreos, uma cozinha, um armazém e barracões de madeira entre essas estruturas.

Durante a visita entramos com o guia em alguns desses prédios/Blocos, mas a maioria deles é fechado para o público, como por exemplo o bloco 10 onde aconteciam experimentos médicos com os prisioneiros.

No Bloco 4 é relatado o processo de extermínio que acontecia no campo. São expostos mapas, fotos do campo em operação, cópias de registros dos prisioneiros, maquetes das câmaras de gás e latas de Zyklon B, inseticida usado nas câmaras para provocar a morte dos prisioneiros.

É nesse bloco também que há uma sala onde ficam expostos os cabelos das vítimas, usados na época para forrar os casacos dos soldados. É bastante impressionante! (proibido tirar fotos nessa sala em respeito às vítimas).

No Bloco 5 é onde estão expostas as evidências físicas dos crimes cometidos: malas, sapatos, escovas de dente, brinquedos, utensílios de cozinha…tudo deixado para trás logo na chegada ao campo de concentração.

Para ter uma ideia de como era a vida dos prisioneiros, entramos no Bloco 6, onde é relatado como funcionava o procedimento de registro, recebimento de número de identificação e classificação deles em categorias diferentes de prisioneiro.

Foi nesse ponto da visita que fiquei mais abalada! Nesse bloco tem um corredor longo e estreito repleto de fotos das pessoas que passaram por lá. Na parede esquerda as fotos das mulheres e na da direita as fotos dos homens. Todos já com as roupas listradas do campo, sem cabelo e com os olhos arregalados. Constam ainda a profissão, data de nascimento, data de chegada no campo e data de morte. A maioria não sobrevivia muito tempo em Auschwitz…Ali você esquece os números e enxerga verdadeiramente as pessoas!

No Bloco 7 dá pra ter uma ideia de onde eles dormiam e das péssimas condições de higiene às quais estavam sujeitos.

Mais pra frente, o temido Bloco 11, conhecido como Bloco do Terror. Esse prédio tinha várias funções, mas a principal era prisão para as pessoas que estavam sob investigação da polícia nazista, pessoas que participavam de algum movimento de resistência e as que eram pegas tentando fugir do campo. Geralmente elas morriam de fome.

Foi no subterrâneo desse bloco que foram iniciados os testes com Zyklon B para exterminar os prisioneiros.

No jardim do Bloco 11 havia a Parede da Morte, pois muitos políticos poloneses e membros de órgãos clandestinos eram executados diante dela.

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Auschwitz I – Parede da Morte

A visita em Auschwitz I termina na câmara de gás que funcionou até Julho/1943, quando os enormes crematórios de Auschwitz II – Birkenau foram concluídos.

Devido a super lotação de Auschwitz I, a partir de Outubro/1941 foi iniciada a construção do campo Auschwitz II – Birkenau, que fica a 3km de distância, Auschwitz III – Monowitz e outros 50 sub-campos nos arredores.

Nós seguimos para Auschwitz II – Birkenau num ônibus gratuito oferecido pelo museu, que é onde acontece a segunda parte da visita.

A construção desse campo tinha como objetivo oferecer uma “solução final para a questão dos judeus”, como diziam os nazistas. Ou seja, exterminar toda população judia da Europa. Era uma verdadeira máquina de matar gente…

O tamanho de Birkenau impressiona, é enorme! O que mais chama a atenção é a entrada, onde há o emblemático trilho do trem por onde chegavam os prisioneiros.

Quando os nazistas se deram conta de que estavam prestes a perder a guerra, começaram a tentar destruir as evidências das atrocidades que foram cometidas no local. Eles destruíram as câmaras de gás, os crematórios, alguns prédios, queimaram documentos e evacuaram todos os prisioneiros que conseguiam andar para o interior da Alemanha. Os que não conseguiam andar foram liberados pelo Exército Vermelho em 27.01.1945.

Por conta dessa tentativa de destruição das evidências, o que vemos hoje em Birkenau são vários galpões (quase todos fechados), as ruínas das câmaras de gás e um monumento que foi erguido em homenagem aos judeus mortos na guerra.

O segundo momento da visita que me abalou bastante foi o interior de um dos barracões que são abertos ao público. A guia já tinha nos prevenido de que era terrível, que parecia um estábulo, mas era lá que os prisioneiros dormiam. O barracão de madeira, não tinha aquecimento, não tinha piso, o chão era de terra e todo desnivelado.

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Auschwitz II – Birkenau

As “camas”, se é que podemos assim chamar, eram divididas em três níveis, sendo que dormiam cerca de 6 pessoas em cada um deles. Pessoas sobreviventes relataram que durante a noite as camas até pulavam, de tantos ratos e pulgas que tinham lá. Eu saí bastante abalada!

Assim acabou nossa visita, que foi muito educativa e cumpre a missão do museu, como já sinalizado no começo da visita com a seguinte frase na parede: “Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repetí-lo” – George Santayana.

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Entrada de Auschwitz II – Birkenau

Clique aqui se quiser fazer um tour virtual por Auschwitz I e II – Birkenau.

DICAS ÚTEIS:

Horários de funcionamento: Dezembro: das 8h as 14hs; Janeiro e Novembro: das 8h as 15hs; Fevereiro: das 8h as 16hs. Março e Outubro: das 8h as 17hs. Abril, Maio e Setembro: das 8h as 18hs; Junho, Julho e Agosto: das 8h as 19hs.

Duração visita: Há tours guiados individuais e em grupo (mínimo 10 pessoas). As visitas tem duração de 3h30 ou 6h. Optamos por uma visita com duração de 3h30, pois achamos que 6h seria muita coisa. Preciso dizer que a visita de 3h é relativamente corrida, a gente passa rápido por alguns locais, isso porque são muitos grupos guiados. Mas continuo achando que a visita de 6h deve ser exaustiva, pois o assunto é bem pesado.

A visita não é recomendada para menores de 14 anos.

Valor: Não é cobrado para entrar no campo de concentração (EXCETO entre os meses de Março e Outubro das 10h as 15h, quando só é possível acessar o local com tour guiado). O preço varia de acordo com o tipo de visita guiada, mas custa cerca de 10 euros por pessoa (grupo fechado sai mais barato).

Para visitas guiadas é importante reservar os ingressos pela internet com pelo menos um mês de antecedência. Clique aqui para reservar os bilhetes e conferir detalhadamente todas as informações.

Como chegar partindo de Cracóvia: Clique no post que fiz sobre a Cracóvia para ver as opções de transporte de lá até Auschwitz.

No nosso caso, começamos nossa viagem em Berlim. Lá alugamos um carro para rodar por alguns países do Leste Europeu. Nossa primeira cidade seria Cracóvia, mas decidimos dormir uma noite em Katowice, e de lá ir pra Auschwitz, pois estava mais próximo. A cidade de Katowice é pequena e não tem grandes atrativos, mas foi perfeito para o nosso roteiro (pagamos cerca de 14 euros na diária do Ibis Budget). Clique aqui pra ver o mapa do nosso trajeto.

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15 Comments »

  1. Nossa Melissa, este texto me deixou hipnotizado ate o final, completamente envolvente e interessante, deve ser surreal conhecer lugares tão tensos como esse.

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