9 programas para incluir no seu roteiro de Cracóvia

Uma cidade que é a principal testemunha das épocas de glória e tragédia do seu país, que carrega ainda marcas fortes do Holocausto mas que conseguiu sobreviver à Segunda Guerra Mundial, essa é a surpreendente Cracóvia.

A cidade foi capital da Polônia até 1596 e ainda hoje é considerada por muitos como a capital acadêmica, cultural e artística do país.

Situada às margens do rio Vístula, mantém com elegância o charme original do Leste Europeu. Seus prédios e monumentos que combinam os estilos barroco e gótico foram milagrosamente poupados durante a guerra, e hoje, para nossa sorte, podemos contemplá-los.

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Cracóvia

1 – CONHECER O MUSEU DO LENDÁRIO OSKAR SCHINDLER

Oskar Schindler foi eternizado por Steven Spielberg em 1993 com o lançamento do filme “A Lista de Schindler”, que conta como o industrial salvou centenas de judeus da Segunda Guerra Mundial (na minha opinião, o melhor filme sobre esse período negro da história da humanidade!).

Se você nunca viu o filme, aqui vai um resumo de quem foi Schindler (1908 – 1974): Em outubro de 1939 ele comprou uma fábrica em Cracóvia que inicialmente produzia utensílios de cozinha e mais tarde peças para a indústria armamentista. Ele ganhava uma fortuna com o negócio e apesar de pertencer ao partido nazista NSDAP, com o passar do tempo ele foi se tornando mais consciente a respeito das condições sub-humanas às quais os judeus estavam sendo submetidos. Foi quando ele começou a contratar o máximo possível de judeus para trabalho forçado na fábrica, alegando que eles eram imprescindíveis para o negócio e assim os poupando dos campos de concentração. Ele salvou no total 1.200 judeus.

Bem, como o filme fez um mega sucesso, a antiga fábrica passou a ser um lugar bastante procurado pelos turistas, que se deparavam com os portões fechados e não viam nada além da fachada, pois depois da guerra até 2002 o local funcionou como uma empresa de telecomunicações. Após três anos fechado, o prédio foi comprado pela Prefeitura de Cracóvia e transformando em museu, inaugurado em meados de 2010.

Eu estava super curiosa para conhecer o museu…

Preciso dizer que não era exatamente o que eu imaginava, mas foi surpreendentemente melhor! Eu pensava que o foco da exposição permanente seria a história de Schindler e de como ele ajudou a salvar no fim centenas de judeus. Claro que esses temas são abordados, mas não são o foco da exposição.

O objetivo é mostrar como era a vida antes e depois da ocupação nazista em Cracóvia, explicada perfeitamente de maneira cronológica e imortalizada com a apresentação de objetos, fotos, jornais e documentos oficiais e pessoais da época.

Como a exposição foi concebida por cenógrafos e diretores de teatro, a experiência no museu é incrível, muito real! No início você está na Cracóvia feliz antes da guerra, no final você se vê numa sala que representa os antigos guetos onde os judeus eram obrigados a morar, isso tudo com sons e muitos objetos, que te ajudam a se projetar e imaginar o horror da guerra.

O tributo ao Schindler acontece na sala onde funcionava o seu antigo escritório na fábrica, onde há fotos, documentos e móveis da época. Quanto aos judeus que ele ajudou, há uma sala onde passa um documentário com a participação de vários deles, contando o que viveram durante aquele período.

Endereço: 18 Bohaterów Getta Square – 30 – 547 Kraków. Funciona as segundas-feiras das 10h as 14h e de terças-feiras aos domingos das 9h as 17h. Atenção: Fecha toda segunda 3f do mês. Gratuito as segundas-feiras.

Como chegar:  O museu está um pouco afastado do centro da cidade, nós fomos pra lá de carro. Caso esteja sem carro, pode ir de táxi (tem vários tuk-tuks que fazem esse itinerário) ou ainda de bike e trem. Clique aqui no site do museu para saber mais sobre essas últimas duas opções de transporte (de bike são propostos roteiros pelo bairro da fábrica, onde ficava o antigo gueto para onde os judeus foram enviados).

2 – VISITAR AUSCWITZ-BIRKENAU

Muita gente que tem interesse em visitar os antigos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau opta por se hospedar em Cracóvia. Isso porque os campos estão a apenas 70km ao oeste da cidade.

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Portão de entrada do campo de concentração Auschwitz I

Se você não estiver de carro, pode contratar os tours organizados oferecidos na cidade ou ir por conta própria. Com certeza indo por conta própria vai sair muito mais barato, mas deve ser mais cansativo.

Você pode ir de trem saindo da estação central de Cracóvia com destino à Oswiecim (nome polonês da cidade onde ficam os campos de concentração). De lá até o campo é uma caminhada de 2km (tem placas de sinalização). Pelo que pesquisei, parece que ele faz várias paradas e demora cerca de 2hs pra chegar no destino.

Uma outra alternativa é ir de ônibus, que sai da rodoviária de Cracóvia – destino Oswiecim. Nas minhas pesquisas parece ser uma opção um pouco cansativa, já que os ônibus não são muito confortáveis.

Nós estávamos de carro, então foi mais tranquilo. Tem estacionamento pago dentro do complexo do museu.

Entre os campos Auschwitz e Birkenau existe um ônibus gratuito para transportar os visitantes, já que tem uma distância de 3.5km entre os dois.

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Entrada do campo de concentração Birkenau

Sobre a visita ao Museu de Auschwitz – Birkenau, preparei um post específico, porque merecia ser contado com extremo carinho, Clique aqui para ler!

Horários de funcionamento: Dezembro: das 8h as 14hs; Janeiro e Novembro: das 8h as 15hs; Fevereiro: das 8h as 16hs. Março e Outubro: das 8h as 17hs. Abril, Maio e Setembro: das 8h as 18hs; Junho, Julho e Agosto: das 8h as 19hs.

Visitas: Não é cobrado para entrar no campo de concentração (EXCETO entre os meses de Março e Outubro das 10h as 15h, quando só é possível acessar o local com tour guiado).

Tem os tours guiados individuais e em grupo (minímo 10 pessoas). As visitas tem duração de 3h30 ou 6h. O preço varia de acordo com o tipo de visita guiada, mas custa cerca de 10 euros por pessoa (grupo fechado sai mais barato).

Nós fomos no mês de maio e reservamos pela internet um tour guiado em grupo de 3h30 com um mês de antecedência. A educadora informa muitos detalhes sobre a história do campo, mas achamos que a visita é um pouco apressada, isso porque há muitos grupos guiados, sai um atrás do outro, mas não tem jeito…Talvez na baixa temporada seja mais vazio e a visita seja mais tranquila.

Para visitas guiadas é importante reservar os ingressos pela internet com pelo menos um mês de antecedência. Clique aqui para reservar os bilhetes e conferir detalhadamente todas as informações.

3 – PASSEAR POR UMA DAS MAIORES PRAÇAS MEDIEVAIS DA EUROPA

Datada do século 13, a Praça do Mercado Central é o principal espaço urbano no centro da cidade e uma das maiores praças medievais da Europa. 

É cercada por prédios históricos e igrejas e claro, super agitada, repleta de restaurantes e lojas. É nela que acontecem os eventos públicos da cidade e onde são comemoradas as datas festivas.

Uma curiosidade: Na época em que a cidade foi invadida pelos nazistas, ela foi renomeada de Adolf Hitler-Platz. Imagina?!

O próximo item da lista está localizada nessa praça.

4 – SUBIR NA TORRE QUE RESTOU DA ANTIGA PREFEITURA DA CIDADE

Antigamente havia uma Prefeitura na Praça do Mercado Central, mas que foi demolida em 1820 para abrir espaço para a expansão da praça. Dela, só restou uma torre, onde nos porões funcionava a prisão da cidade.

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Torre da antiga Prefeitura da cidade

Ela tem 70 metros de altura e é aberta para visitação. Lá de cima se tem uma vista muito bonita da praça e arredores, mas já adianto que os degraus são super íngremes e estreitos, não aconselho para crianças pequenas e idosos.

5 – VISITAR A BASÍLICA DE SANTA MARIA

Datada do século 14, a Basílica de Santa Maria é o símbolo do cristianismo na terra do papa João Paulo II.

Sua construção envolve uma história de devoção e ciúmes entre dois irmãos arquitetos, onde cada um era responsável pelo projeto de cada torre da Basílica. O irmão mais velho, que havia ensinado o ofício ao caçula, queria mostrar que ele era melhor que o irmão e fez de tudo para terminar sua torre primeiro.

Uma vez seu trabalho concluído, ele não aguentou ver que a torre de seu irmão estava bonita e continuando a crescer, foi quando ele o assassinou com uma faca. Com o sumiço do arquiteto, as autoridades determinaram que as torres ficariam assim, com tamanhos diferentes.

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Basílica de Santa Maria e suas torres de tamanhos diferentes

Quando o arcebispo consagrou a Basílica restaurada, o irmão que estava com peso da consciência, confessou seu crime e se suicidou com a mesma faca, que até hoje fica exposta na praça para lembrar a todos o que o orgulho e a inveja podem causar.

Apesar dessa história curiosa, a aparência exterior da Basílica é simples. Porém, por dentro ela é simplesmente magnífica!!! Há muitas esculturas, capelas, além de bastante cor e um teto que remete a um céu estrelado.

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Interior da Basílica de Santa Maria

6 – ANDAR PELO BAIRRO JUDEU

A vila de Kazimierz foi fundada no século 14 e lá se concentrou por muitos séculos a comunidade judia, que vivia no início segregada do resto da cidade. 

Com a expansão de Cracóvia, o local virou um bairro onde habitava cerca de um terço da população. Os judeus construíram lá suas sinagogas, suas casas e seus comércios e viviam bem, até o início da Segunda Guerra.

Os que tinham dinheiro para fugir, o fizeram, os que não tinham, foram depois transferidos para os guetos e posteriormente aos campos de concentração. Inclusive, muitas cenas do filme “A Lista de Schindler”foram gravadas no bairro.

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Ainda tem um pedaço da parede do antigo gueto para onde foram enviados os judeus

Das 90 sinagogas que existiam lá na década de 30, só sobraram 6. Além dos monumentos e prédios, muitos objetos sagrados para os judeus foram confiscados e destruídos pelos nazistas.

Andar por lá é muito interessante, pois ao mesmo que nos deparamos com um lado mais triste da cidade, com prédios danificados e cara de abandonados, há vários restaurantes, lojinhas, antiquários e pessoas passeando.

Nos últimos anos as autoridades e entidades judaicas tem se esforçado para devolver as residências e comércios para os seus antigos donos ou descendentes, um esforço que objetiva dar vida nova ao bairro e ao comércio do local.

7 – PASSEAR PELOS ARREDORES  DO CASTELO DE WAWEL

Além das torres e muralhas típicas de um castelo, dentro do complexo fica a Catedral da cidade, onde repousam importantes religiosos e monarcas poloneses, como os reis Sigismundo I e II e onde tem o Mausoléu do Santo Estenislau.

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Castelo de Wawel

Nós não tivemos tempo de entrar no Castelo de Wawel, mas passeamos pelos seus arredores num final de tarde maravilhoso, contemplados por um pôr do sol repentino, depois de um dia chuvoso.

Independente da sua decisão de entrar ou não no castelo, não deixe de passear por lá, já que o Castelo está sob uma colina com vista para o Rio Vístula. O visual é lindo, especialmente se o tempo estiver bom!

Endereço: Wawel 5, 31-001. Funciona de terça a sexta-feira das 9h30 as 17h e aos sábados e domingos das 10h as 17h. Fechado às segundas-feiras. Clique aqui para obter mais informações sobre o castelo.

8 – ANDAR PELO PARQUE PLANTY

Com seus 21 hectares, o Parque Planty circunda a Cidade Velha de Cracóvia e é composto por 30 jardins, onde encontramos estátuas, fontes, árvores enormes e um gramado bem cuidado.

É o lugar perfeito para fazer um piquenique ou simplesmente dar uma caminhada. É gratuito e aberto 24hs por dia.

9 – EXPLORAR A COMIDA LOCAL

Ao chegar na Cidade Velha de Cracóvia nos deparamos com uma deliciosa feira gastronômica na Praça em frente à Basílica de Santa Maria.

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Feirinha gastronômica no Centro Velho de Cracóvia

Lá eram servidas comidinhas típicas muito boas.

A primeira que provamos foi a Oscypek Grilla, um quitute feito com queijo defumado e leite de ovelha, que é exclusivamente produzido numa região da Polônia (montanhas Tatra).

O gosto é muito bom e servido com uma geléia de Zuraminka (uma espécie de cranberry polonesa), que contrasta super bem com o queijo.

Depois nos esbaldamos nas barracas que serviam comida por quilo e lanches.

O Diogo optou por um lanche que é servido num pão enorme, com uma pasta de aveia (muito comum na Polônia), linguiça e cebola, que estava muito bom. Eu decidi pedir um prato com batatas, linguiça e pão, porque as batatas estavam com uma cara ótima. T

A gente bem que tentou descobrir o período de funcionamento dessa feirinha, porque era realmente muito boa, animada, com bastante gente comendo e bebendo vinho nas mesas compartilhadas, mas ninguém soube dizer, só sabiam que era o último dia.

Mas com certeza vocês vão se deparar com essas comidinhas em outros cantos da cidade.

Espero que aproveitem bastante a linda Cracóvia!

 

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